Sector ferroviário continua a perder terreno para a rodovia, avisa Violeta Bulc

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O sector do transporte ferroviário de mercadorias recebeu um novo alerta, vindo agora das mais altas autoridades comunitárias: a Comissária Europeia que tutela a pasta dos Transportes, Violeta Bulc, pronunciou-se sobre o actual cenário do sector, antevendo desafios árduos para uma área dos transportes que parece perder fulgor face aos meios concorrentes – estarão os fundos europeus a cumprir os objectivos de desenvolvimento da ferrovia?


«Ferrovia representa menos de 12% da quota modal», diz Comissária Bulc

A pergunta fica no ar após o comentário de Violeta Bulc: «a ferrovia responde por 73% do financiamento europeu, mas representa menos de 12% da quota modal». A constatação da Comissária foi recebida com alarmismo, figurando como um aviso ao sector e aos Estados-membros que compõem a União Europeia. Esta declaração vem adensar ainda mais as insuficiências do sistema ferroviário europeu, após um 2017 penoso (em termos infra-estruturais) e avisos plasmados na conferência anual sobre o frete ferroviário, realizada em Viena no passado mês de Dezembro.

Apesar das aparentes condições vantajosas (sustentabilidade ambiental, vantagem competitiva face ao transporte rodoviário dentro do continente europeu considerando distâncias), a verdade é que o sector continua deficitário em termos infra-estruturais e até legislativos (a Suíça fomenta a primazia do transporte ferroviário impondo restrições ao meio rodoviário), permanecendo com uma quota reduzida dentro da Europa comunitária. Os atrasos continuam a ser uma constante (uma pontualidade máxima de 70%) e colapsos como o sucedido em Rastatt pioram ainda mais a reputação de um sector cada vez mais fragilizado.

Utilizadores abandonam a ferrovia: «Quem os pode culpar?», pergunta Tony Berkeley

O tema é escalpelizado com profundidade por Tony Berkeley, presidente do Rail Freight Group, órgão que representa a indústria do transporte ferroviário no Reino Unido – num artigo publicado por portal The Loadstar, Berkeley conclui que todos estes constrangimentos impediram que as cargas «chegassem a tempo», não censurando os clientes por abandonarem a opção ferroviária: «quem os pode culpar?», pergunta, de forma retórica.

renfe primeiro comboioPara o líder do Rail Freight Group, até os gestores de infra-estruturas se mostraram negligentes na hora de solucionar os graves entraves originados pelas carências infra-estruturais, tornadas óbvias durante o colapso do túnel em Karlsruhe.

Sector ferroviário precisa de se transformar em prol dos clientes

Tony Berkeley demonstra, no seu artigo de opinião, o cenário oposto em terras britânicas: «No Reino Unido, os desempenhos do transporte de passageiros e mercadorias são geralmente bons, com pontualidades de 95%, que provavelmente são atingidas devido ao sistema de penalizações imposto pelo corpo regulador», justificou.

Na sua visão, 2018 será o ano ideal para se atingir um equilíbrio de quotas entre o meio rodoviário e o ferroviário, já que as necessidades climáticas urgem intervenções dotadas de uma filosofia sustentável e ecológica. Mas, para tal, é necessário provar aos clientes que as transformações «trarão os exigidos melhoramentos em termos de fiabilidade, qualidade do serviço e custos».


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