Sector mostra esperança que Carta de Porte Electrónica (eAWB) esteja para breve

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O evento “eAWB – Carta de Porte Electrónica’, realizado esta quarta-feira na Gare Marítima da Rocha, em Lisboa, contou com o alto patrocínio da MAEIL e da CHAMP e agregou em torno do tema central da carga aérea importantes agentes do sector como as companhias aéreas Emirates SkyCargo e Lufthansa Cargo, a empresa de handling Portway e vários transitários – cuja representação máxima não se fez rogar, marcando também presença na figura de Paulo Paiva, presidente da APAT.



A intervenção inaugural de Hugo Duarte da Fonseca, líder da MAEIL, sublinhou o atraso nacional no que concerne à implementação da Carta de Porte Electrónica, que vem colocando, por todo o mundo, um fim à tradicional e obsoleta carta de porte em papel, em vigor – de forma inalterada – há cerca de 80 anos.

Com o galopar imparável da digitalização, Bart Jan Haasbeek, representante da CHAMP, reforçou a necessidade de mudança no âmago do sector luso, num passo essencial rumo à harmonização da relação expedidor-transportador numa plataforma comum de diálogo digital – fluído, célere, sem redundâncias ineficientes ou papelada à mistura.

A necessidade deste passo marca o desejo de abraçar o suporte digital para mediar – e agilizar – a comunicação entre expedidores, transitários e companhias aéreas num contexto de constante transformação tecnológica onde a competitividade das grandes potências globais se faz, cada vez mais, pela via digital. E onde novos players digitais como a Amazon ou a Alibaba parecem ser cada vez mais ameaças e cada vez menos parceiros.

Rumo ao e-freight, foi realçada a necessidade da carga aérea adoptar o booking online e ainda demonstrada a eficiência do sistema multi-modal “Logitude”, desenvolvido pela CHAMP Cargosystems.

A sessão prosseguiu, já no fim da manhã, com o debate ‘e-freight – desafios e oportunidades‘, mediado por Joni Francisco, director da Revista Cargo.

«O maior impasse é causado pela parte legislativa» – Fernando Gomes

A pergunta que abriu a troca de ideias tentou explorar as razões que têm, nos últimos três anos (período que intermedeia o evento de hoje e outro realizado em 2015, subjugado ao mesmo tema), impedido a natural implementação da Carta de Porte Electrónica em Portugal – «o maior impasse é causado pela parte legislativa», afirmou Fernando Gomes, Gestor de Carga da Emirates SkyCargo, enfatizando, por outro lado, a receptividade das autoridades alfandegárias: «A Alfândega mostrou óptima receptividade, mas a legislação não permite total implementação da eAWB», explicou. «Se a legislação não muda, o e-freight nunca vai ser implementado com a velocidade que se desejaria», concluiu.

Já Maria Luísa Santos, Consultora de Vendas da Lufthansa Cargo, colocou a tónica na importância de um arranque sem reservas nem mais demoras, até porque «o eAWB é o primeiro passo para o e-freight», afirmou, corroborando a positiva receptividade da alfândega revelada por Fernando Gomes e adiantando que «existem muitas cargas que já podem ser tratadas via Carta de Porte Electrónica». O entrave da legislação foi argumento partilhado também por Bruno Tomaz Costa, Coordenador de Carga da Portway.

«O que se pretende é fazer desaparecer o papel no que toca à carta de porte», comentou, durante uma das sua intervenções no debate, o representante da Emirates, relembrando que a parte da documentação é a base de todo o processo futuro de implementação, no qual «99% da carga aérea será processada por meio electrónico». «Queremos dar o primeiro passo», afirmou Fernando Gomes, deixando o exemplo – a seguir – do transporte marítimo.

«Há muitas pequenas e médias empresas que ainda não estão ligadas a qualquer plataforma» – Maria Luísa Santos

Os efeitos positivos deste passo foram, depois, analisados pelo representante da Portway: «Eliminar o papel deste processo reduz erros, poupa tempo e dinheiro e aumenta a fluidez do negócio», caracterizando-o como «uma solução de competitividade» a favor das pequenas e médias empresas.

A necessidade dos transitários aderirem ao método digital é, concordaram os membros do debate, premente e cada vez mais fulcral para o desenvolvimento do sector; «há muitas pequenas e médias empresas que ainda não estão ligadas a qualquer plataforma», comentou Maria Luísa Santos.

No encontro promovido pela MAEIL, as companhias aéreas e a Portway deram conta de uma recente reunião com a Alfândega, em Novembro passado. Essa reunião provocou optimismo no sector uma vez que, tal como referido acima pelo representante da Emirates, foi mostrada grande receptividade do lado da Alfândega.

Então, de que lado está a bola? «De todos», vincou o responsável da Emirates Sky Cargo, lembrando que as companhias aéreas terão de começar a trabalhar com vários agentes para testar a transmissão de dados por via electrónica, mesmo que num primeiro momento isso signifique que os dados serão transmitidos a dobrar (em papel, como ainda é obrigatório, e em formato digital). «Mas isso vai acelerar o processo porque quando o eAWB for introduzido já saberão como trabalhar com isto, já estaremos avançados, não começaremos do zero a partir daí», realçou Maria Luísa Santos.

Estabelecer metas temporais parece mais difícil neste momento. Hugo Duarte da Fonseca recorda o exemplo da carga marítima, sector onde foi definido que a JUP estaria operacional num dia específico e todos teriam de operar na plataforma a partir daí – admitindo não saber se será feito algo semelhante com o eAWB no aéreo. Ainda assim, o responsável da MAEIL identifica aqui algo que deve ser tido em conta por todos, porque quanto mais cedo começarem a comunicar via digital menos probabilidade terão de ser surpreendidos com eventuais datas de cumprimento do eAWB muito rígidas.

Ainda sobre previsões relativas a avanços, o Coordenador de Carga da Portway, Bruno Tomaz Costa, admite que a Alfândega espera que o processo esteja mais consolidado do lado do mercado, o que implica mais parcerias e mais testes entre os diversos agentes, com mais informação transmitida e maior qualidade da informação transmitida entre transitários, companhias aéreas ou agentes de handling. Para esse trabalho desafiou a plateia composta maioritariamente por transitários para submeterem informação via digital o mais rapidamente possível, de forma a que se possa apresentar algo mais substancial e para aprovação da Alfândega «ainda durante este primeiro trimestre».

Paulo Paiva (APAT): «Do ponto de vista operacional este passo ainda não se justifica»

A troca de perspectivas alastrou à plateia, com o presidente da APAT a projectar a visão dos transitários: «A introdução da eAWB depende antes de mais da legislação. É vital uma resolução», explanou, garantindo não se tratar «de falta de investimento» por parte das empresas na vertente digital. «Do ponto de vista operacional este passo ainda não se justifica, pois temos o entrave da alfândega», para depois concluir: «Não há adesão dos transitários porque os ganhos são ténues».

Lembrando que «a colaboração dos transitários é fundamental para o desenvolvimento do processo», Paulo Paiva deixou a garantia de que as empresas pretendem «fazer parte do planeamento». Sobre a incerteza dos transitários quanto à adesão, Bruno Tomaz Costa deixou um conselho: «devem começar a ligar às plataformas digitais e a introduzir dados de carga, para assim permitirem uma adaptação e recolha de informação» que resulte numa optimização do desenvolvimento do eAWB e numa eficaz transmissão de dados, enaltecendo os «ganhos da informação, sem retype. Pequenos passos fazem a diferença».

«É preciso transmitir dados e avaliar a qualidade da transmissão de dados dos transitários para as companhias aéreas», reforçou Maria Luísa Santos, recordando que esta é uma das preocupações centrais das autoridades alfandegárias no que toca à implementação do projecto.



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