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Sessão ADFERSIT: Técnicos mostram muitas reservas em relação à solução Montijo

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sessão soluçao monitjo A ADFERSIT (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transporte) promoveu esta terça-feira uma sessão de debate sobre a opção Montijo como aeroporto complementar ao Aeroporto da Portela.

A abrir a sessão, o Presidente da ADFERSIT, Leiria Pinto, justificou o motivo de escolha deste tema para o debate, lembrando que a Associação por si presidida quer discutir as várias temáticas actuais do sistema integrado dos transportes – e que esse é o caso do tema Montijo.

Numa fase em que «aguardamos a declaração de Impacto Ambiental e a elaboração do Plano Director», Leiria Pinto considera este o momento ideal para debater e discutir esta opção.

Artur Ravara contextualizou mais de meio século de avanços e recuos

O Engenheiro Artur Ravara, conhecedor profundo do sector e da evolução deste tema, foi desafiado pela ADFERSIT para contextualizar a escolha do Montijo, percorrendo mais de meio século de avanços e recuos. Meio século em que estiveram em cima da mesa várias opções, desde novos aeroportos para substituir o da Portela a aeroportos complementares do mesmo. E várias localizações que avançaram e recuaram, desde o Rio Frio, à Ota, a Alcochete ou, finalmente, ao Montijo.

Artur Navarra recorda que, depois de décadas sem avanços, «só no fim da década de 90 o processo foi dinamizado», então com uma escolha de localização para um novo aeroporto de Lisboa, na Ota. «Uma escolha que não foi nada consensual», lembra.

Porém, em 2002 este processo «voltou a ser suspenso, novamente por mudança de Governo», voltando em força «entre 2005 e 2010, primeiro com a hipótese Ota e depois com a solução em Alcochete». A decisão por Alcochete foi «consolidada em 2008», recorda o Engenheiro.

Nesse momento, recorda, a previsão apontava para que o novo aeroporto «fosse inaugurado em 2017, com duas pistas e capacidade para 22 milhões de passageiros», tendo contemplada uma «folga de cinco milhões porque estimava-se então que o tráfego em 2017 fosse de 17 milhões de passageiros» – uma estimativa que a realidade veio mostrar ser desajustada, dada a procura bem mais acentuada que se registou.

Artur Ravara lembra que foi nessa fase que começou também «a ser falada a opção Portela+1», uma solução de aeroporto complementar ao Aeroporto da Portela. «E com a publicação do PET, é assumida a decisão de avançar para a Portela+1, sobretudo devido à situação financeira do país», acrescenta.

Montijo é uma escolha pouco consensual no meio técnico

O Governo avança agora para a criação desse aeroport ‘+1’ no Montijo, uma solução que Artur Ravara vê como «relativamente bem aceite pela opinião pública», nomeadamente por questões de «falta de capacidade financeira» ou pelo «crescimento acentuado da procura que vem sendo resolvida com mais investimentos na Portela».

pista montijo

Pista do Monitjo é uma das principais questões em discussão pelos técnicos

Porém, vinca que da parte dos técnicos a opção Montijo é tudo menos consensual. «Há uma diferença muito grande entre a opinião pública e o meio técnicos», defende, acrescentando que existe uma grande preocupação demonstrada pelo meio técnico, nomeadamente ao nível da segurança.

«O meio técnico preocupa-se e tem reagido a esta opção», salienta o Engenheiro Artur Ravara, lembrando os debates promovidos pela Ordem dos Engenheiros no LNEC ou no programa ‘Prós e Contras’ da RTP.

Entre as preocupações evidenciadas por Artur Ravara está a questão das características das pistas do Montijo. O Engenheiro recorda que os «aviões que estão previstos para o Montijo são da Classe C, particularmente utilizados pelas low-cost». E, recorrendo aos dados exigidos pelos aviões da Embraer, Boeing ou Airbus dessa classe, mostra que «a pista no Montijo tem de ser ampliada em mais de 1.000 metros e tem de se aumentar muito a capacidade de resistência da mesma [o chamado PCN]».

Várias questões que ainda estão por responder

Já Vítor Coelho, Controlador Aéreo e outro dos convidados pela ADFERSIT para discutir esta temática, deixou uma série de questões que considera importantes, e as quais pretende ver respondidas de forma que se consiga fazer uma melhor avaliação do projecto e das ideias para o mesmo.

Saber se as companhias low-cost irão mudar-se para o Montijo é uma questão que os técnicos gostariam de ver respondidas

Por um lado, questiona o motivo pelo qual a Easyjet não foi colocada na amostra: «Se o Montijo é considerado um aeroporto para as low-cost, qual o motivo pelo qual a Easyjet foi retirada da amostra?». Uma questão que Vítor Coelho gostava de ver respondida até porque, na sua opinião, as low-cost (Easyjet incluída) «ou passam todas para o Montijo ou repartem as operações entre o Montijo e a Portela».

Por outro lado, Vítor Coelho questiona ainda a razão pela qual «apenas se considerou a proposta da NAV e não a proposta da Força Aérea» – e até que ponto não teria sido possível «conciliar as duas propostas?».

Outra questão pertinente deixada pelo Controlador Aéreo diz respeito ao futuro da Ryanair em Lisboa. «Será que a Ryanair irá mudar para o Montijo?», questiona, recordando que «o CEO da companhia não foi muito claro nesta questão». Sobre esta questão, mostra-se convicto que «a Ryanair não quer sair da Portela» – podendo, eventualmente, estar a pensar no Montijo como uma solução para «a expansão das suas actividades».

«Espero que o Plano Director venha responder a estas e outras questões», conclui Vítor Coelho.

Solução fluvial para o tráfego de passageiros entre as duas margens

Cais do Seixalinho actualmente

Osvaldo Bagarrão, membro da ADFERSIT, foi o terceiro orador da sessão, ficando a cargo da análise de outro tema muito pertinente da solução Montijo: o transporte de passageiros Montijo-Lisboa e Lisboa-Montijo.

Segundo o responsável da ADFERSIT, a solução fluvial aparece como a opção «mais rápida, mais segura e mais capaz» para que os passageiros atravessem o Tejo – e até uma solução interessante do ponto de vista turístico, ao permitir que os passageiros entrem em Lisboa pela via fluvial.

Porém, lembrou que falta saber a forma como tudo poderá ser feito para articular o modo fluvial ao novo aeroporto, deixando muitos pontos de dúvida: a solução que existirá para ligar o terminal de passageiros do aeroporto ao terminal fluvial; as necessárias intervenções no terminal fluvial do Seixalinho, no Montijo, hoje apenas com um cais disponível; a frequência dos navios e a capacidade dos mesmos; a articulação do tráfego fluvial com o futuro Terminal de Cruzeiros de Lisboa; o terminal/terminais que dará/darão resposta na Margem Norte; entre outros.

São, portanto, muitas as questões ainda por responder relativas à opção Montijo. Os próximos meses prometem novidades mas uma coisa é certa: o meio técnico, esse, está muito preocupado com as consequências a vários níveis de um novo aeroporto no Montijo.

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