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‘Shipping 4.0 – O Mar de Amanhã’: evento de sucesso reflectiu sobre o futuro do Transporte e da Logística

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Realizou-se ontem o evento Shipping 4.0 – O Mar de Amanhã’ – nas instalações da ENIDH, os sectores marítimo-portuário e logístico portugueses reuniram-se em peso para abordar as temáticas 4.0 que, de uma forma cada vez mais intensa, moldam e transformam a compreensão global dos fenómenos que compõem o shipping. Promovido pela AGEPOR e pela J. Canao, o seminário pautou-se pelo sucesso, fomentando o debate sobre uma multiplicidade de tópicos e alumiando o trilho da digitalização e suas potencialidades.


Belmar da Costa evocou o espírito do evento: «O futuro já aqui está»

A frase marcante de António Belmar da Costa abriu a sessão e espelhou, na perfeição, o espírito da iniciativa: «Isto não será para os nossos filhos, será ainda para nós, porque o futuro já aqui está». Feitas as introduções, era hora de arrancar com as intervenções planeadas – a primeira, por Miguel Marques (partner na PwC), ligou o Mar à revolução digital, «uma mudança de paradigma» que estará «na agenda durante muitos anos» e que espelha a predominância de «tendências claras» que já fazem parte da actualidade do shipping.

Pedro Galveia debruçou-se sobre os sistemas ciber-físicos

pedro galveia enidh shipping 4.0Ao discurso de Miguel Marques seguiu-se a intervenção de Pedro Galveia (Berth & Yard Operations Expert na Yilport Sotagus), na qual os sistemas ciber-físicos ganharam relevo no contexto de um paradigma de conectividade cada vez mais global onde os desafios se atropelam, desde a «gestão e heterogeneidade» dos dados recolhidos, passando pela privacidade e pelo «controlo e segurança das comunicações», até à capacidade de armazenamento de um fluxo de informação cada vez mais múltiplo e prolixo, mas que está à nossa disposição para ser capitalizado.

«A ciber-tecnologia move-se tremendamente depressa», lembrou Mitchell Cordero

A sessão prosseguiu com a participação de Mitchell Cordero Espindola (Lloyds Register) cuja prelecção enquadrou o tema do dia nos seguintes moldes: «sempre que aconteceu uma revolução, dá-se uma destruição». Dessa destruição, explicou, nasce um novo pendor criativo capaz de, por «meios disruptivos», desenvolver novas competências e novas oportunidades de negócio. «A ciber-tecnologia move-se tremendamente depressa» e, portanto, são urgentes os esforços – conjuntos – para integrar o progresso num quadro legislativo e regulamentar, nomeadamente no que toca aos navios autónomos, um processo evolutivo que, garantiu, «a Lloyds vem estudando há mais de 5 anos».

O ‘Shipping 4.0 – O Mar de Amanhã’ teve continuidade nas intervenções de Nuno Laginha e Nuno Delgado, ambos especialistas na empresa CGI, que tem-se evidenciado no desenvolvimento de respostas às novas exigências dos serviços marítimos através de tecnologias inovadoras e da sua vasta experiência no desenvolvimento e implementação de soluções. As intervenções de ambos centraram-se no debate do impacto da ‘Internet das Coisas’ (IoT) na gestão e operação dos serviços marítimos.

José Simão apresentou o sucesso da «consolidação dos sistemas da DGRM»

simao dgrm enidh shipping 4.0José Carlos Simão, presidente da DGRM, foi outra das marcantes presenças no evento – a sua intervenção elucidou a plateia sobre as graduais transformações implementadas na Administração Marítima de há um ano para cá. Para caracterizar a complexidade do estabelecimento da nova geração de sistemas na DGRM, José Carlos Simão fez uma explicação introdutória da abrangência de funções do organismo e da sua multiplicidade de stakeholders, «desde o pequeno pescador ao grande armador». Perante a «grande diversidade de sistemas aplicacionais», o processo de «consolidação parcial dos sistemas da DGRM» e a «busca de compatibilidades» tem sido um sucesso, de que são provas o SNEM e o BMAR.

Carl Johansson: «O conceito marítimo 4.0 é a próxima grande mudança de rumo»

O passar das horas não esmoreceu o entusiasmo dos presentes e a sessão prosseguiu com o brilhantismo tecnológico emprestado pela Rolls Royce e Svitzer e seus representantes no evento, Carl Johansson e Carsten Nygaard. «O conceito marítimo 4.0 é a próxima grande mudança de rumo», anunciou o primeiro, sustentado no «controlo remoto de navios e na sua automação» – uma mudança movida a «força destruidora» passível de elevar o transporte marítimo a um novo nível de eficiência, eficácia e segurança. A apresentação foi abrilhantada com o vídeo que relatou a experiência groundbreaking do teste de um rebocador autónomo da Svitzer desenvolvido pela Rolls Royce, em Junho de 2017.

José Canão e a arte da «linguagem universal» ao serviço da conexão entre stakeholders

O capítulo seguinte do evento ficou a cargo do engenheiro José Canão: relevando o papel da J. Canão no desenvolvimento das soluções digitais no contexto portuário português (pontos marcantes em 2008, com a JUP, e posteriormente com os projectos Excello e Knowledge e a FUP, em 2017) com vista «à ligação dos stakeholders à área portuária». Com a «simplicidade e a excelência» em mente e a «necessidade de estandardização» na mira, as soluções CANOW buscam providenciar uma «linguagem universal» que possibilite uma «interactividade contínua» com os utilizadores e uma «interoperabilidade» entre stakeholders: «Manuseamos, mexemos e construímos da forma que queremos», explicou.

«Para onde caminha o futuro do Shipping 4.0?», indagou Carlos Vasconcelos

carlos vasconcelos shipping 4.0O rol de intervenções ficou completo com a contribuição de Carlos Vasconcelos, que, a título pessoal, analisou os princípios da evolução do transporte marítimo, encetando o discurso com a questão: «Para onde caminha o futuro do Shipping 4.0?» – para o especialista, o progresso tecnológico deixa o sector numa «grande encruzilhada», onde as oportunidades e as ameaças se misturam num caldo do qual deve ser filtrada a essência da rentabilidade e da eficiência, mas sem esquecer a importância da componente humana, num futuro que se adivinha incerto. Afirmando que «todo o processo produtivo será totalmente automatizado», Carlos Vasconcelos espera uma «redefinição do processo logístico» devido às forças metamórficas da Big Data, da Inteligência Artificial e dos efeitos desmaterializantes que orientam a digitalização.

Debate proveitoso fez sinergia entre painel de oradores e plateia

Finalizada a sucessão de intervenções, seguiu-se uma proveitosa e profícua sessão de debate, onde os presentes tiveram a oportunidade de colocar questões aos oradores convidados, numa troca de ideias que versou sobre temas como a pertinência dos navios autónomos (e a inerente necessidade de regulamentação por parte da IMO), e o destino da força laboral humana no contexto de crescente automação e as potenciais ameaças da tecnologia de impressão 3D, caracterizadas como «as mais disruptivas de sempre», na visão de Carlos Vasconcelos.



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