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Shipping «atravessa uma célere e disruptiva transição»: Amazon deu o «tiro de partida»

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Jorge d’Almeida, presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines, especialista em arquitectura naval e assuntos marítimo-portuários, analisou extensivamente, durante a sua intervenção na conferência ‘Digital Transition in Shipping’, a evolução do transporte marítimo de mercadorias e de todo o sector logístico que envolve e integra as diversas modalidades de transporte de cargas. Os desafios e tendências forçam grandes rupturas no tecido das redes logísticas e das cadeias tradicionais, e as mudanças – à boleia da digitalização, pandemia e busca da eficiência – são inevitáveis.

Amazon agitou as águas: colosso do e-commerce despoletou metamorfoses

amazon loja INLT«A logística do Shipping atravessa uma célere e disruptiva transição. A pandemia chamou-nos a atenção para a fragilidade das cadeias logísticas tradicionais, que se baseiam, em larga escala, num conceito fundado há cerca de 40 anos, chamado de Just in Time, numa altura em que as taxas de juro eram altíssimas e o mundo era bastante mais simples. Hoje em dia vivemos num mundo pleno de disrupções, como um vírus inesperado como o COVID-19), como também no plano político. As cadeias logísticas são menores resilientes e existem poderosas forças modeladoras que têm contribuído para mudar a logística em geral e o Shipping em particular», analisou Jorge d’Almeida

«O tiro de partido para esta tendência foi dado pela Amazon – que todos conhecemos. Em 2o16, a Amazon decidiu que queria ser uma operadora marítima, mas sem deter navios (um estatuto que se chama NVOCC – Non Vessel Operating Common Carrier). Trata-se de uma transportadora marítima sem navios, que tem carga suficiente para movimentar para reservar espaços em navios. Isto criou, obviamente, uma grande disrupção no mercado. A Amazon não se posiciona enquanto companhia de comércio marítimo, mas sim como companhia logística. Normalmente, forçam os players tradicionais a reajustarem as suas estratégias. Na logística marítima, isto teve um grande efeito», prosseguiu.

Maersk foi a primeira a reagir: Shipping forçado a redefinir-se logisticamente

«A primeira companhia a responder a isso de forma mais visível foi a Maersk. Em 2017, 2018, anunciou publicamente que iriam integrar todas as operações logísticas (operação marítima, terrestre, armazéns, etc) num único serviço, posicionando-se para ser, se assim podemos dizer, a FedEx do transporte marítimo. Foi uma jogada bastante corajosa, uma vez que vários clientes da Maersk são, de facto, operadores logísticos, levando a que a Maersk passasse a competir com os seus próprios clientes. A companhia sentiu que essa era a estratégia a ter para responder à forma como o mundo se está a desenvolver», explicou o presidente da CPLS, falando, depois de outras forças logísticas globais, como a MSC e a CMA CGM.

MSC «fez aposta fortíssima no transporte ferroviário»

«A MSC fez uma fortíssima aposta no transporte ferroviário, integrando a vertente marítima com a ferroviária, uma associação complementar que é extremamente eficiente em termos de tempo, custos e logística. Isso tem alterado o panorama logístico em Portugal e não. Hoje em dia, existem serviços directos para o resto da Europa, e existem um serviço ferroviário, de China até Madrid (dois comboios por semana) e estamos em conversações para que passe também por Sines. Todos estes factores trazem grandes mudanças às redes logísticas tradicionais».

COSCO Shipping focou-se no gateway de Pireu

«A CMA CGM também fez uma enorme aposta ao adquirir uma das maiores operadoras logísticas, tudo por causa desta necessidade de competir de uma forma mais competitiva. A COSCO, de modo diferente, também está a ter efeitos disruptivos, e fez uma grande aposto no Porto de Pireu, na Grécia, e que já se tornou no maior porto do Mediterrâneo. A ideia é utilizar Pireu como porta de entrada para servir o Norte da Europa através de comboio, competindo directamente com os serviços marítimos rumo ao Norte da Europa», rematou Jorge d’Almeida.

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