Are we seeing the end of supply chain management

Painel de luxo dissertou sobre o futuro da ‘Supply Chain’ no evento da Nova SBE

Logística Comentários fechados em Painel de luxo dissertou sobre o futuro da ‘Supply Chain’ no evento da Nova SBE 426
Tempo de Leitura: 5 minutos

A conferência ‘Are we Seeing the End of the Supply Chain Management’, realizada pela Nova School of Business & Economics, na qual a Revista Cargo marcou presença, analisou as transformações das cadeias de abastecimento com o contributo essencial de José Crespo de Carvalho e da mesa redonda que sucedeu à sua apresentação. José Costa Faria, Afonso Almeida, Jorge Marques dos Santos e António Belmar da Costa compuseram o painel de discussão.



Lançado o debate, os intervenientes aprofundaram a temática em todos os seus ângulos, cada um fornecendo diferentes pontos de vista, consoante os seus percursos profissionais. Lembrando um das frases mais famosas do escritor Mark Twain, Costa Faria enunciou que «as notícias da morte da Supply Chain são manifestamente exageradas», respondendo, logo na abertura do discurso, à pergunta que deu corpo ao título da conferência.

José Costa Faria: «Temos tendência para esquecer a dimensão física e a componente humana»

«Vivemos um momento de grandíssima transformação», mas, apesar da turbulência da mudança, o responsável da GEFCO afirmou não estar preocupado»: «Não precisamos de dramatizar», lembrando que os progressos tecnológicos que alteram o tecido da cadeia logística são omnipresentes na evolução da mesma ao longo das décadas. Para Costa Faria, os princípios funcionais da Supply Chain continuam a ser, «em primeiro lugar, a estratégia, em segundo, o planeamento, e, em terceiro, a execução».

Abordar a transformação sem esoterismo, com os pés bem assentes na terra: uma mentalidade que, segundo o especialista, deve ser preservada. «Temos tendência para esquecer a dimensão física e a componente humana. A dimensão comportamental é a que vejo menos tratada: como estão a ser formados líderes do futuro?», perguntou, mostrando-se preocupado com essa carência.

Afonso Almeida: Investimento na digitalização não é suficiente, é preciso «captar e formar talento»

Afonso Almeida, CEO da Agro Merchants, focou o seu discurso na realidade empresarial portuguesa: «Quando ingressei na área da Logística não existiam pessoas formadas em Supply Chain«, começou por dizer, fazendo depois um retrato do tecido logístico em Portugal: «95% das empresas têm menos de 10 trabalhadores». Apesar disso, o seu potencial de resiliência é elevado – «Vejo empresas pequenas a fazerem esforços extraordinários  sem grandes recursos financeiros», comentou.

«Uma das grandes preocupações é a componente da execução», afirmou, explicando que a vertente da digitalização (e as suas ferramentas) precisa de deter uma certa harmonização com a realidade estrutural das companhias portuguesas. «Não é fácil aceder à automação», admitiu, centrando o desafio  na «captação de pessoas para a aérea da Logística» e na cativação de «novos trabalhadores para as PME’s».

 Jorge Marques dos Santos: «A Supply Chain tem de se centrar nas pessoas».

«Estamos perante uma modificação da forma de produzir e de trabalhar», declarou Jorge Marques dos Santos, presidente do IPQ/CTCV. «É preciso quebrar paradigmas tradicionais», alertou, criticando um modelo apenas focalizado no desenvolvimento de serviços: «Afinal, como criamos riqueza?», indagou, para depois lançar nova frase marcante: «A Supply Chain tem de se centrar nas pessoas», sem esquecer a importância que deve ser dada à Economia Circular.

«Pensar que a gestão da cadeia de abastecimento vai desaparecer é um caos», afirmou com veemência, defendendo que a presença activa do elemento humano continuará a ser essencial para assegurar que a tecnologia «está ao serviço dessa gestão»: «Gerir é essencial, faz parte da tarefa humana. Não pode haver inovação sem reflexão», rematou.

António Belmar da Costa: «Há uma disrupção total»

«Se teremos futuro? Uns sim, outros não», começou por responder António Belmar da Costa, Secretário Geral da AGEPOR, à questão lançada por José Crespo de Carvalho. «Há uma disrupção total e existirão gerações que ficarão fora deste comboio», admitiu, perspectivando, sem receios, um mundo totalmente automatizado: «Eu consigo ver um mundo com aviões sem pilotos e camiões autónomos. Isso irá acontecer, mais tarde ou mais cedo», augurou.

Portugal tem «excelentes condições para sermos um pólo de distribuição e de assembly»

«Na produção, a mão-de-obra barata deixará de ser um factor competitivo», referiu, antecipando alterações de paradigma transversais à cadeia logística global dos nossos dias. «Os avanços tecnológicos são hoje feitos a uma velocidade nunca antes vista», mas Portugal poderá agarrar as oportunidades vindouras: «Temos excelentes condições para sermos um pólo de distribuição e de assembly».

Belmar da Costa trouxe ainda para a discussão – lembrando que «o contentor já é hoje em dia uma commodity» – as movimentações estratégicas das grandes operadoras marítimas no sentido de se diferenciarem em terra e não no mar: «As companhias estão a entrar em força no terreno da distribuição porque perceberam que é aí que está a rentabilidade, não transporte marítimo em si», argumentou.

Cargofive apresentou-se à logística portuguesa na Nova SBE

Sebastian cargofiveFindo o debate e a interacção entre os oradores e a plateia, a sessão deu espaço às novas propostas empresariais que enriquecerão a Logística do futuro: a startup Cargofive tomou o palco, e, através das palavras de Sebastian Cazajus, CEO, apresentou a sua proposta para auxiliar os transitários a integrarem a Era Digital.



Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com