Terminais de contentores enfrentam riscos que «estão para lá do controlo dos operadores»

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Os operadores de terminais de contentores enfrentam actualmente riscos mais elevados do que em qualquer momento da história do sector, de acordo com um novo relatório. O documento, intitulado ‘Terminais de Contentores: Os caminhos para a Rentabilidade’ sugere que o investimento futuro de operadores e investidores precisará de ser considerado com mais cuidado do que nunca.

Ameaças sistémicas e intrínsecas podem afectar a procura e o investimento

O estudo de 221 páginas – ao qual a Revista Cargo teve acesso – foi levado a cabo pelos especialistas Remco Stenvert e Andrew Penfold e é taxativo na sua mensagem, ao considerar que grande parte dos riscos que atormentam a indústria «estão bem para lá do controlo dos operadores». Para os autores, o negócio da operação portuária e, mais especificamente, dos terminais de contentores, enfrenta certezas maiores desde a década de 70, altura que marcou o florescimento global da revolução contentorizada.

Tratam-se de «riscos sistémicos e intrínsecos», que, na visão de Remco Stenvert e Andrew Penfold, «podem afectar drasticamente as perspectivas da procura portuária, da rentabilidade e do investimento nos próximos 10 anos». Todas as estratégias de investimento terão de ter em conta todos estes riscos, uma vez que, para os especialistas, «os dias em que o aumento da procura chegava para salvar projectos marginais terminaram». Os riscos externos são uma grande ameaça que não deverá ser menorizada na hora de equacionar investimentos.

Terminais de contentores: os riscos externos e internos

Entre esses riscos externos estão o recuo da globalização em face do crescente proteccionismo, a crescente instabilidade financeira desde 2009, uma mudança estrutural na natureza da procura, com muitas economias desenvolvidas alcançando agora, de forma efectiva, o pico de produtividade no segmento contentorizado, os crescentes desafios tecnológicos (à boleia de inovações disruptivas como o Blockchain ou a impressão 3D) e o impacto das novas exigências ambientais – variáveis que fogem ao controlo dos operadores e que deve merecer análise prioritária.

 A estes factores externos juntam-se outros tantos, de cariz interno, que afectam directamente o sector da gestão de terminais: o excesso de capacidade (derivado da configuração das frotas) e sub-utilização, instabilidade das alianças marítimas (que aumenta à medida que o crescimento dos volumes quebra), a crescente pressão originada pela proliferação de navios de grande porte (que forçam os terminais a adaptarem-se em termos infra-estruturais, buscando fortes investimentos) e o excesso de capacidade sentido, actualmente, em vários terminais.

«O mundo está a mudar e o impacto no sector contentorizado permanece incerto. À medida que os principais retalhistas e operadores logísticos – como a Amazon e a Alibaba – aumentam a sua presença no mercado, haverá claras pressões para que invistam verticalmente na cadeia de transporte», conclui o estudo. «Isso pode muito bem aumentar a probabilidade de criação de novas joint ventures, mas também pode aumentar a concorrência por investimentos num mercado cada vez mais incerto», explicam os autores.

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