Tradelens veio para revolucionar o ‘Shipping’ – Alexa Rios (A.P. Moller-Maersk) explicou-nos como

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Uma das grandes atracções do 22º Congresso da APLOG foi a apresentação da solução inovadora Tradelens, desenvolvida pela Maersk em parceria com a IBM, recorrendo à tecnologia Blockchain para lançar o sector do transporte marítimo de mercadorias para uma nova realidade: mais interligada, mais transparente, eficiente e segura. Alexa Rios, Regional Product Expert – TradeLens|Europe na A.P. Moller – Maersk, detalhou o surgimento da solução e aprofundou as suas utilidades – a Revista Cargo não perdeu pitada da sua intervenção.

«Prever o impacto de uma tecnologia inovadora é extremamente difícil. Existem vários casos na História em que as assumpções falharam. A inovação chega sempre acompanhada de assumpções e não se trata apenas de tecnologia mas também da disposição das pessoas para abraçarem a mudança. Quando se pensa em mudança, há duas perspectivas: a parte reptiliana do nosso cérebro, que não quer arriscar e deixar a zona de conforto, e a parte curiosa. Na Maersk temos esta mentalidade de mudança. Numa era fortemente digital, é preciso um cérebro curioso para colaborar e abraçar a mudança», introduziu Alexa Rios, antes de abordar os contornos do problema que originaram a necessidade de desenvolver a solução.

Tradelens é sinónimo de desmaterialização

maerks line frente guerra«Não temos uma solução industrial que dê resposta às necessidades dos clientes, que dizem que esta é uma indústria extremamente complexa de operar, com múltiplos elos na cadeia de abastecimento. O problema é que a informação e a documentação ficam, muitas vezes, presas em silos organizacionais. E o que significa isto para os clientes? Enviam e recebem informação constantemente, passam-na ao próximo elo da cadeia – o que acontece quando essa documentação não é enviada atempadamente, ou simplesmente está incorrecta? Cria-se uma ruptura da cadeia, custos extra para os consumidores e um impacto negativo na experiência dos utilizadores», explicou.

«Uma das razões pelas quais esta indústria se torna tão complexa é o facto de ainda estar bastante agarrada ao papel. Esta indústria é altamente dependente de documentação física – esses documentos necessitam, muitas vezes, de serem emendados, o que implica modificações, reenvios, erros, perda de tempo e alguma falta de transparência e de eficiência. Para um cliente saber do paradeiro do seu contentor a qualquer momento, precisa de gastar imensos micro-recursos, fazer imensos telefonemas, para obterem essa informação». Identificado o problema, a Maersk, líder de mercado, aliou-se à IBM para pormenorizar todos os aspectos da equação – começou, em 2014, a empreitada do desenvolvimento do Tradelens.

Documentação é responsável por 20% do custo total do transporte

«Em 2014, decidimos, juntamente com o nosso parceiro tecnológico IBM, compreender qual a dimensão desta problemática – sabíamos que existem queixas por parte dos clientes, sabíamos que se trata de algo complexo, mas ainda não conseguíamos decifrar, em números, o que significava. Então, fizemos uma prova de conceito, através da experiência de acompanhar a viagem de um contentor de abacates, desde o Quénia até ao Porto de Roterdão, na Holanda: 30 players estiveram envolvidos na operação, sendo precisos mais de 200 e-mails e telefonemas para acompanhar o processo. O transit time original era de 34 dias mas um documento perdeu-se durante a viagem, o que gerou um atraso de dez dias», salientou.

«Juntamente com a IBM descobrimos que 20% do custo total do transporte estava ligado a documentação. Daí pensámos: o que poderemos fazer para implantar tecnologias – que estão disponíveis no mercado – e construirmos uma solução capaz de resolver um problema global do qual este negócio padece? Foi assim que desenvolvemos o Tradelens, uma inter-plataforma colaborativa capaz de conectar cada membro da rede com todos os restantes – estamos a falar de carregadores, transitários, consignatários, transportadores, alfândegas, operadores de terminais, serviços financeiros e outros», rematou Alexa Rios.

Foto: APLOG

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