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UE busca maior «segurança energética» e vê EUA como parceiro ideal: conjugação perfeita para Sines

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A conjuntura internacional poderá estar a sorrir para Portugal, e, neste animador contexto, o Porto de Sines, grande referência portuária nacional, está na pole position para tirar proveito das circunstâncias: se o crescente mercado do GNL já colocava Sines como um player incontornável quanto à comercialização desta alternativa, o acordo firmado entre os EUA e a União Europeia veio fortalecer ainda mais essa condição.



As duas partes acordaram em cessar o fogo da guerra de tarifas (que continua intenso entre os EUA e a China) e o compromisso incluiu, entre outros dossiers, o aumento das importações de GNL por parte da Europa, numa altura em que os EUA projectam a sua indústria de gás natural e ascendem gradualmente à posição de concorrentes de outras potências exportadoras, como o Qatar, um dos principais fornecedores de GNL à UE.

Sines vê circunstâncias cada vez mais risonhas para transhipment de GNL na Europa

Ora, a importação de GNL rumo à Europa terá, em Sines, a porta de entrada do continente, assim como o contexto ideal para que o porto alentejano se assuma como um hub de transhipment deste produto, tido como uma viável e acessível alternativa energética para respeitar os exigentes limites de NOx impostos pela IMO, e que, a partir de 2020, transformarão o padrão energético do Shipping para sempre.

Sines já entrou no carrossel do GNL proveniente dos EUA desde 2016, e, daí em diante, tem contemplado a ascensão desta alternativa como uma oportunidade de juntar, à já afamada reputação enquanto hub de transhipment de contentores, a de entreposto europeu de GNL de referência. E tem razão para esperar tal: a UE já importou 2,8 mil milhões de metros cúbicos desta matéria, dá hoje conta a Comissão Europeia.

Em comunicado – ao qual a Revista Cargo teve acesso – o organismo dá conta que 39% das necessidades europeias, actualmente situadas nos 480 mil milhões de metros cúbicos, são satisfeitas pela Rússia, 30% pela Noruega e 13% pela Argélia (sendo o resto proveniente de produção interna). Mas os EUA, que apostou seriamente em infra-estruturas de liquefacção, pretende pular dos actuais 4% para um valor bem mais significativo, como expressou Donald Trump ao líder da Comissão, Juncker.

GNL pode dar «verdadeiro impulso à diversidade de aprovisionamento de gás da UE»

Refere o documento que «a UE é o maior importador de gás natural do mundo», concluindo que «a diversificação das fontes de abastecimento é, portanto, primordial tanto para a segurança energética quanto para a competitividade», mais: «assegurar que todos os Estados-Membros tenham acesso aos mercados de gás líquido é, portanto, um dos principais objectivos da União da Energia da UE», explica a Comissão.

«O GNL pode dar um verdadeiro impulso à diversidade de aprovisionamento de gás da UE e, consequentemente, melhorar consideravelmente a segurança energética. Hoje, os países da Europa Ocidental que têm acesso a terminais de importação de GNL e mercados de gás líquido são muito mais resistentes a possíveis interrupções de fornecimento do que aqueles que dependem de um único fornecedor de gás», pode ler-se.

Em 2017, a Europa representou mais de 10% do total das exportações deste gás vindo dos EUA, um valor que representa o dobro dos 5% que representava em 2016: e assim deverá continuar o progresso, o que beneficiará o posicionamento do Porto de Sines. Esta aposta na diversidade das fontes combaterá também a dependência da UE face à Rússia: estima-se que 39% do gás consumido na UE tenha origem russa, já que o país liderado por Putin detém o principal sistema de abastecimento que serve o norte da Europa.

UE projecta co-financiamentos de 638 milhões para receber e distribuir GNL pelo continente

Neste contexto, a UE comprometeu-se a co-financiar com 638 milhões de euros projectos de infra-estruturas de gás natural liquefeito que aumentem a capacidade actual de 150 mil milhões de metros cúbicos – este desígnio comum fez com que Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, e Emmanuel Macron, presidente de França, se reunissem com António Costa, Primeiro-Ministro português, para um debate sobre a estratégia a adoptar face ao mercado comum de energia, no fim de Julho.

«Com base na lista de ‘projectos de interesse comum’ da UE, a estratégia relativa ao GNL inclui uma lista dos principais projectos de infra-estruturas que são essenciais para garantir que todos os Estados-Membros da UE possam beneficiar do GNL», descreve a Comissão, afirmando ainda que «os terminais devem ser financiados através de tarifas ao consumidor final» ou, noutros casos, com as «empresas de gás a suportarem os custos de construção».



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