UNCTAD: GNL ganha terreno rumo ao paradigma do ‘Green Shipping’

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O documentoReview of Maritime Transport‘ de 2017, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e recentemente disponibilizado, reflecte, no seu conteúdo, a crescente importância do gás natural liquefeito (GNL) no contexto da indústria do transporte marítimo – o relatório sublinha que os navios destinados ao transporte deste recurso são a tipologia que mais tem crescido (em termos de ‘deadweight tonnage‘ ou porte bruto), ao passo que a própria utilização do GNL como combustível também tem conhecido um crescimento assinalável.

GNL é grande aposta rumo ao «Green Shipping

O documento da UNCTAD realça a progressiva obtenção de protagonismo por parte do GNL no seio de uma indústria que procura, urgentemente, redenção ambiental e ecológica: «Esta tendência vem-se desenvolvendo num contexto de maior aperto por parte das políticas ambientais», refere a UNCTAD no título «O futuro do gás natural liquefeito», relembrando que, na septuagésima reunião do ‘Environment Protection Committee‘, os membros da Organização Marítima International (IMO) ficou decidida a redução, para 0,5%, dos níveis de emissão de enxofres no tráfego marítimo global a partir de 2020 (resolução MEPC.280(70) de 28 de Outubro de 2016).

Recordando que a regulação das emissões de gases de efeito de estufa vem sendo alvo de uma monitorização cada vez mais intensa, a UNCTAD menciona que o sector do transporte marítimo encaminha-se – também por decisão do Comité – para uma total supervisão detalhada dos consumos dos navios, posteriormente agregada em blocos de informação. Esses blocos de informação recolhida permitirão à IMO a análise e compreensão do estado actual dos consumos e dos índices de poluição, passo essencial para a implementação de uma estratégia de sustentabilidade energética sustentada no paradigma ‘Green Shipping‘.

Assim, explica a UNCTAD que o crescimento do GNL no âmbito do ‘shipping‘ se deve, em grande parte, à necessidade da indústria em encontrar soluções alternativas para a alimentação dos navios; tal como havia explanado o assessor para a Energia e Indústria do Ministério do Mar, Rúben Eiras, durante a Conferência ‘Mar Português’, o GNL é cada vez mais um recurso acessível e o seu potencial ecológico ultrapassa em larga medida o combustível convencional. Também os avanços tecnológicos (‘retrofitting‘ é um desses progressos) efectuados permitem encarar o GNL como um recurso pronto a utilizar.

«Possibilidades limitadas», mas apenas por enquanto, prevê a UNCTAD

Quanto à fornada de novos navios preparados para o GNL, adianta a UNCTAD que registou-se um crescimento de 5,4% em 2016, sendo de esperar que em 2017 a introdução de novos navios alimentados a GNL atinja os 5,7%; cerca de 13,5% da arqueação bruta encomendada de 2018 em diante é composta por embarcações preparadas para recorrer ao GNL. Mais: esclarece o organismo que, até ao dia 1 de Janeiro de 2017, haviam sido distribuídos 325 navios preparados para o gás natural liquefeito. «As possibilidade ainda são limitadas, devido ao pequeno número de portos que disponibilizam instalações para ‘bunkering’ de GNL», mas, refere a UNCTAD, «esse número está a aumentar, particularmente nas rotas principais».

«Um outro componente da política de desenvolvimento do mercado de gás natural liquefeito poderá ser o vínculo com as operações portuárias, com o ‘hinterland‘ e com o tráfego de navegação interior, onde os veículos poderão ser operados com gás natural liquefeito ou gás natural comprimido», afirma a UNCTAD. «Para fazer do uso do gás natural liquefeito um sucesso, são necessários altos padrões no ‘bunkering‘ e nas operações do navio, para evitar derrames de metano e zelar pela segurança do processo», acrescenta o organismo.

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