Kris Kosmala e o ‘negócio Unifeeder’: «é difícil vislumbrar algum lucro para a DP World»

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A aquisição da Unifeeder por parte da árabe DP World tem feito correr muita tinta na imprensa especializada e os analistas internacionais não se têm coibido de comentar o negócio, muito devido ao carácter diferenciador deste tipo de consolidação. A Revista Cargo fez um apanhado das considerações de alguns dos mais reputados analistas e profissionais do sector, para melhor o informar sobre o sucedido.



A grande característica diferenciadora deste negócio, que se cifrou em 660 milhões de euros, é que, apesar de se tratar de novo passo de consolidação no transporte marítimo internacional, tal consolidação não se efectuou nos moldes tradicionais, ou seja, horizontalmente. Desta feita, uma operadora de terminais adquiriu uma transportadora de short sea de referência – portanto, uma integração vertical.

«Gosta de uma boa história de Verão? A indústria do shipping tem uma nova moda: a consolidação vertical. Desta vez não foi uma transportadora de contentores a fazer a proposta. Próxima paragem: negócio logístico com uma rede complementar de hinterland?», escreveu Kris Kosmala, especialista em IT e Transformação e Estratégia Digital.  O seu artigo, intitulado ‘Unifeeder & DP World: o curioso casamento em short sea‘, atraiu análises de outros reputados profissionais do sector.

Lars Jensen ressalvou que indústria vive «transformação fundamental»

«Um desenvolvimento bastante interessante – num ambiente em que muitas das grandes transportadoras tentam integrar de forma mais profunda na cadeia de abastecimento pela parte terrestre, uma das maiores operadoras de terminais faz também um movimento de penetração na cadeia logística, mostrando, mais uma vez, que toda a indústria atravessa uma transformação fundamental», comentou Lars Jensen, CEO da SeaIntelligence.

Pedro Galveia: «corrida passará a ser pelos elos perdidos da cadeia de abastecimento»

A intervenção de Kris Kosmala suscitou também a reacção do especialista português Pedro Galveia, Berth & Yard Operations Expert na Yilport Sotagus: «Depois das decisões dos grandes players, a corrida agora passará a ser pelos elos perdidos da cadeia de abastecimento», identificando as companhias de short sea como o alvo mais apetecível, algo que ficou plasmado no negócio da aquisição da Unifeeder pela milionária DP World.

Vikram-Singh considera negócio uma «progressão natural»

«Um grande movimento estratégico de consolidação da cadeia de transporte. Não é diferente daquilo que as 4PL’s fizeram, apenas ligeiramente diferente em termos de dimensão. É uma progressão natural, embora seja a primeira. É uma grande jogada, espero que traga um certo grau de paridade ao domínio absoluto que o ‘Gang dos Seis (ou Sete) adquiriu», afirmou também Arjun Vikram-Singh, CEO da Quantum Business Solutions.

DP World viu «chance de se expandir as redes feeder entre portos», diz Tobias Koeing

Para Tobias Koeing, CEO da Lexington LNG Limited, o negócio não implicou qualquer tipo de consolidação: «Não vejo qualquer consolidação em resultado desta aquisição. Apenas posso assumir que a DP World viu a chance de se expandir as redes feeder entre portos. A esta altura, o preço parece ser extremamente alto. Devem saber algo que nós não sabemos. A maioria das operações feeder debate-se para fazer dinheiro. E os resultados da Unifeeder são bons, mas não justificou tamanho preço», opinou.

«É incrivelmente difícil vislumbrar algum lucro significativo para a DP World», afirmou Kosmala

No seu artigo, Kosmala explica que, ao comprar a Unifeeder, a companhia árabe «ganha controlo das escalas feitas pelos navios da Unifeeder fazia nos terminais europeus geridos pela DP World, mas, no processo, perde a habilidade de extrair maiores taxas do carregador», admitindo que «o negócio do feedering é duro», já que os contratos de referência «são de curto prazo» e as «margens são magras», concluindo: «É incrivelmente difícil vislumbrar algum lucro significativo para a DP World».



Photo: https://commons.wikimedia.org/wiki/User:SteKrueBe

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