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Carlos Vasconcelos: «Mais do que falar em Shipping 4.0, devemos sim falar de Logística 4.0»

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Ainda os ecos do evento de sucesso ‘Shipping 4.0 – O Mar de Amanhã’: Carlos Vasconcelos, outro dos ilustres oradores da conferência, realizada nas instalações da ENIDH no mês de Maio, reflectiu sobre a evolução da vertente digital no contexto do Transporte e da Logística.



«Todo o processo produtivo será totalmente automatizado»

«Para onde caminha o futuro do Shipping 4.0?», começou por indagar o experiente especialista, que realçou o facto de falar apenas em seu nome. Numa intervenção reflexiva, na qual procura analisar os fundamentos e os princípios desta quarta revolução industrial, Carlos Vasconcelos realçou os progressos transversais da digitalização: desde a «realidade consumada» do «terminal chinês de Qingdao totalmente automatizado», passando pelos «desafios dos navios autónomos» dos «comboios sem maquinista» e do «platooning automático».

«Mais tarde ou mais cedo, todo o processo produtivo, end-to-end, será totalmente automatizado», explicou, colocando a tónica numa «evolução muito mais rápida que o inicialmente imaginado» e prevendo a continuação do fenómeno de consolidação na indústria do shipping, originado por um «investimento colossal»: para Carlos Vasconcelos, restarão «menos players» e uma sobrará, em consequência, «uma maior indiferenciação do produto».

Verdadeira revolução ao nível das «relações de produção»

Para Carlos Vasconcelos, «a grande revolução do Shipping 4.0 incidirá verdadeiramente, não no transporte das mercadorias, mas sim ao nível das relações de produção e também no software», inferindo também que «a tendência é a gradual eliminação dos intermediários e entre a produção e o consumo». Na sua análise, descreveu ainda a «redefinição do processo logístico» rumo à reestruturação da cadeia de abastecimento «em função dos comportamentos dos consumidores», à boleia das evoluções registadas na Big Data, Inteligência Artificial, interactividade global e desmaterialização.

«Indiferenciação no mar» e maior «diferenciação em terra»

Durante o discurso, Carlos Vasconcelos dissertou também sobre a tendência de apoderamento do controlo, progressivamente total, das cadeias de abastecimento por parte das operadoras marítimas (caso da compra da CEVA Logistics pela CMA CGM e da anunciada intenção da Maersk em apostar nos serviços ‘em terra’) e também das retalhistas como a Amazon ou Alibaba, num contexto de «indiferenciação no mar e diferenciação em terra» – «mais do que falar em Shipping 4.0 (que mais se assemelha agora a uma commodity) devemos sim falar de Logística 4.0», rematou.



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