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Victor Cardial à Revista Cargo: «Utilização do GNL irá apresentar um acentuado crescimento na próxima década»

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A Revista Cargo teve a oportunidade de chegar à fala com o engenheiro Victor Cardial – delegado para terras lusitanas da associação GASNAM – cujo conhecimento sobre as dinâmicas energéticas alternativas é sempre uma fonte de conhecimento incontornável. Sob o chapéu do tema desenvolvido na edição 274 da nossa publicação (com incidência sobre o mercado do GNL na dinâmica comercial EUA-UE), colocámos algumas questões ao especialista. Questionado sobre se o aumento da produção e exportação de GNL por parte dos EUA se trata de um sinal de que esta alternativa energética está devotada a ter um uso cada vez mais global, Victor Cardial respondeu assim:

lng navio gnl china«O gás natural enquanto combustível na mobilidade automóvel, ferroviária e marítima parece ser a melhor solução para a redução da frota diesel e das elevadas emissões que se verificam, especialmente nos equipamentos mais antigos. As estimativas da NGVA Europe (Natural Gas Vehicle Association) apontam para um crescimento muito acentuado do parque automóvel a Gás Natural, sendo de sublinhar o aumento do número de pesados em 112 vezes. Por outro lado no sector marítimo as restrições às emissões de sulfuretos têm contribuído para uma reconversão e novas encomendas de navios a Gás Natural. A disponibilização de GNL a preços mais competitivos e desligados da referência petróleo, como acontece nos EUA, tornará esta solução ainda mais atractiva. A nossa convicção é de que a utilização do GNL, nas mais diversas áreas com necessidades energéticas significativas, irá apresentar um acentuado crescimento na próxima década, como os elementos divulgados pela NGVA Europe antecipam». Sobre o acordo EUA-UE e a correlação deste com diversidade e segurança energética da Europa, o especialista comentou, contextualizando: «O abastecimento de GNL para a Europa tem origem, actualmente, na Noruega, Qatar e Nigéria. A diversificação para os EUA permite garantir uma maior resiliência em caso de conflitos na África e no Médio Oriente e de capacidade negocial em termos de preços e qualidade. Com um papel cada vez mais importante do GNL na estrutura do sistema energético europeu, a diversificação de origens, em particular com importações de um aliado natural com quem a Europa mantém um largo excedente comercial, representa uma clara garantia de segurança de abastecimento e de estabilidade de preços no médio prazo deste combustível contribuindo assim para uma maior capacidade de gestão das políticas energéticas da Europa».

Porto de Sines: oportunidades e desafios no mercado do GNL

Quanto ao Porto de Sines: poderá ganhar, neste contexto cada vez mais propício, uma maior preponderância num futuro em que o GNL vindo dos EUA necessite de ser redistribuído, em larga escala, pelo continente europeu? «Esta questão é muito interessante e coloca diversas questões em termos da capilaridade logística associada a Sines. A capacidade de distribuição à escala europeia estará associada à existência de redes logísticas, fundamentalmente ferroviárias e marítimas, que possibilitem a distribuição por vários clientes europeus de menor consumo, a custos competitivos, das cargas que chegarem a Sines. A construção dessas redes implica apostas estratégicas e investimentos significativos que parecem estar a ser já avaliados pelas entidades públicas nacionais, mas o prazo de execução pode criar limitações e condicionamentos que fragilizem a posição concorrencial do Porto de Sines», respondeu-nos o delegado da GASNAM. Enquadrado Portugal nesta geografia de oportunidades, o que precisará de ser feito para o país ‘agarrar’ esta oportunidade que parece ganhar forma no horizonte? «A questão do transshipment está muito associada a carga contentorizada do que a carga em granel, no entanto com o desenvolvimento de tecnologia e processos mais automatizados, esta tem sido cada vez mais utilizada para o transporte de cabotagem. Não sendo especialista neste domínio, considero que os grandes desafios estarão centrados nos espaços de acostagem e nos sistemas automatizados de transferência, sejam ship-to- tank, ship-to-ship ou tank-to-ship, diminuindo os custos e tempos de operação».

Deixámos, ainda, uma última questão: A UE já enumerou programas de co-financiamento (na ordem dos 638 milhões de euros) para apoiar infra-estruturas destinadas ao GNL e aumentar a capacidade actual. O que pensa a GASNAM sobre este passo? «As previsões (NGVA) apontam para um crescimento das estações de abastecimento
de GNL das 140 actuais para 2.000 em 2030 (3.300 e 10.000 para o GNC). A operação desta rede vai ser muito
exigente em termos de logística e infra-estruturas, pelo que uma alternativa de um combustível menos poluente
e mais sustentável exige um investimento elevado e em espaço de tempo reduzido. Sem um apoio efectivo ao desenvolvimento da rede, esta crescerá mais lentamente e criará níveis diferentes de desenvolvimento nas diversas
regiões europeias. O mecanismo CEF (Connecting Europe Facility) visa esbater estes desequilíbrios, garantindo uma
estrutura adequada ao desenvolvimento do transporte sustentável na Europa. Diversos associados da GASNAM
beneficiaram destes apoios, permitindo assim uma melhor cobertura do território e uma resposta mais adequada à
procura potencial, que de outra forma teria um desenvolvimento muito mais lento», rematou Victor Cardial.

* Este artigo integra a edição Julho/Agosto de 2018 da edição impressa da REVISTA CARGO.

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